História
Quatro séculos de tradição, inovação e paixão

Mendoza não nasceu capital do vinho. Foram mais de quatro séculos de trabalho, imigração, erros e reinvenção para se tornar o que é hoje: uma das doze Great Wine Capitals do mundo.
Se está planejando a viagem, conheça nossos tours privativos de vinícolas em Mendoza — ou explore nossas experiências de vinho de alta gama.
Conhecer a história do vinho de Mendoza não é só cultura geral: é entender por que as vinícolas são como são, por que o Malbec virou símbolo nacional e como o enoturismo se tornou um dos principais motores econômicos da província.
As origens: missionários e videiras sem tradição (1556–1850)
As primeiras videiras chegaram a Mendoza em 1556, trazidas por missionários jesuítas e franciscanos espanhóis. A uva não era para turismo nem para o mercado: era para produzir vinho de missa. A casta principal era a Criolla, uma variedade rústica adaptada ao clima desértico.
Durante 250 anos, Mendoza produziu vinho para consumo local. A indústria era artesanal, com vinícolas familiares e vinhos que não saíam da região. A Cordilheira dos Andes e a falta de transporte tornavam impossível exportar.
A revolução dos imigrantes (1850–1920)
A grande transformação começou com a imigração europeia. Em meados do século XIX chegaram a Mendoza italianos, espanhóis e franceses, muitos vindos de regiões vinícolas tradicionais. Traziam com eles:
- Castas francesas e italianas: Malbec, Cabernet Sauvignon, Sangiovese, Bonarda
- Técnicas modernas de elaboração
- O conceito de vinícola industrial
O marco histórico aconteceu em 1853: o agrônomo francês Michel Aimé Pouget, contratado pelo governador Domingo Faustino Sarmiento, trouxe da França as primeiras mudas de Malbec. Sem saber, plantou a semente do símbolo do vinho argentino.
Nas décadas seguintes foram fundadas as primeiras vinícolas industriais: Bodegas López (1898), Trapiche (1883), Toso (1890). A chegada da ferrovia em 1885 ligou Mendoza a Buenos Aires e permitiu levar o vinho a todo o país.
A era industrial e a massificação (1920–1990)
Durante o século XX, Mendoza se tornou a maior produtora de vinho da América do Sul. Mas o foco não era a qualidade: o que importava era a quantidade. A Argentina tinha um consumo de vinho per capita altíssimo (mais de 90 litros por pessoa ao ano nos anos 70) e as vinícolas produziam vinhos de massa para o mercado interno.
O Malbec, que já estava plantado, era visto como uma casta de corte. Os grandes sucessos eram o Cabernet Sauvignon e os blends com Bonarda e Tempranillo. As vinícolas eram enormes, com tecnologia antiga e foco em volume.
A revolução da qualidade (1990–2010)
A crise do consumo de vinho argentino nos anos 90 (caiu para menos de 30 litros por pessoa ao ano) obrigou as vinícolas a se reinventarem. A saída foi exportar, e para exportar era preciso qualidade mundial.
Aqui aparecem os protagonistas da nova era:
- Nicolás Catena Zapata: o visionário que apostou no Malbec de alta gama e provou que a Argentina podia competir com os grandes vinhos do mundo. Em 1995 lançou o Catena Zapata Estiba Reservada, que recebeu 99 pontos de Robert Parker.
- Susana Balbo: a primeira enóloga da Argentina, pioneira em Torrontés e Malbec de alta gama.
- Paul Hobbs: enólogo californiano que fundou a Viña Cobos em Luján de Cuyo.
- Achaval Ferrer: pioneiros em Malbecs de parcela única.
A descoberta do Vale de Uco como zona vinícola de altitude foi a grande revelação. Vinícolas como Salentein, Andeluna, Domaine Bousquet mostraram que os vinhos de altitude tinham uma expressão única, impossível de replicar em outras regiões.
Para entender bem as diferenças entre as regiões vinícolas de Mendoza, recomendamos ler o nosso guia das regiões do vinho em Mendoza.
O boom do enoturismo (2000–hoje)
Com o reconhecimento internacional veio o interesse dos viajantes. As vinícolas, que historicamente não recebiam público, começaram a abrir as portas. Surgiram os primeiros restaurantes de vinícola: Casa Vigil, La Bourgogne (Vistalba), 1884 (Escorihuela Gascon), que somaram gastronomia autoral às degustações.
Em 2004, Mendoza foi declarada Capital Internacional do Vinho, entrando para o seleto grupo das Great Wine Capitals do mundo. Naquele mesmo ano foi criada a Rota do Vinho de Mendoza como produto turístico estruturado. Para entender como percorrê-la, veja o nosso guia da Rota do Vinho.
Hoje as vinícolas mendocinas são verdadeiros destinos arquitetônicos e gastronômicos. A Salentein tem um museu de arte contemporânea, a Casa Vigil oferece experiências imersivas com vinhos de destaque e a Catena Zapata é uma pirâmide maia no meio dos vinhedos.
O Malbec: de casta de corte a símbolo nacional
A história do Malbec de Mendoza merece um capítulo à parte. Originária de Cahors, na França, essa uva quase se extinguiu na Europa por causa da filoxera (praga do século XIX). Em Mendoza encontrou condições perfeitas: altitude, amplitude térmica, solos pedregosos e clima seco. A variedade evoluiu com características próprias.
A grande mudança veio com a decisão de fazer Malbecs premium em vez de vinhos de massa. Hoje há mais Malbec na Argentina do que em qualquer outro país do mundo: 75% do Malbec do planeta é cultivado em Mendoza.
Para se aprofundar nas variedades, recomendamos o nosso guia das variedades de uva em Mendoza.
Os marcos mais importantes
- 1556: Chegada das primeiras videiras a Mendoza.
- 1853: Pouget traz o Malbec da França.
- 1885: Chegada da ferrovia e abertura do mercado nacional.
- 1898: Fundação da Bodegas López.
- 1995: O Catena Zapata Estiba Reservada recebe 99 pontos Parker.
- 2004: Mendoza é declarada Great Wine Capital.
- 2011: Dia Mundial do Malbec (17 de abril).
- 2020: Mendoza ultrapassa um milhão de enoturistas por ano.
Vinícolas históricas para visitar
Se a história do vinho de Mendoza interessa a você, estas vinícolas merecem uma visita:
- Bodegas López (Maipú): fundada em 1898, mais de 100 anos de tradição.
- Trapiche (Maipú): pioneira na exportação para os Estados Unidos.
- Catena Zapata (Luján): a vinícola que relançou o Malbec de alta gama.
- Familia Zuccardi: três gerações fazendo vinho, agora com Sebastián.
- Norton (Maipú): fundada em 1895 por um engenheiro inglês.
Se quiser organizar um dia de vinícolas centenárias, você encontra todos os detalhes na página do tour de vinícolas em Maipú.
O futuro do vinho de Mendoza
Mendoza continua evoluindo. Algumas tendências atuais:
- Vinhos biodinâmicos: Salentein, SuperUco e Krontiras estão na dianteira.
- Vinhos naturais: uma nova geração de enólogos jovens aposta na mínima intervenção.
- Cabernet Franc de altitude: a casta da moda no Vale de Uco.
- Vinhos brancos de altitude: Chardonnay e Sauvignon Blanc do Vale de Uco estão ganhando prêmios.
Perguntas frequentes
Qual é a vinícola mais antiga de Mendoza?
Entre as que seguem abertas ao público, a Trapiche é a mais antiga: foi fundada em 1883, em Maipú. A Bodegas López, de 1898 e também em Maipú, é a outra grande centenária que pode ser visitada.
Por que o Malbec é tão importante na Argentina?
Porque encontrou em Mendoza condições perfeitas para se expressar com a máxima qualidade, e porque a decisão estratégica dos anos 90 foi apostar nele como símbolo nacional.
Como se comemora o Dia Mundial do Malbec?
Em 17 de abril, com eventos em vinícolas do mundo todo. Em Mendoza há degustações especiais, festas nas vinícolas e promoções turísticas.
Que outras castas são históricas em Mendoza?
A Bonarda (variedade italiana adaptada na Argentina), o Tempranillo (espanhol) e o Cabernet Sauvignon. Todas trazidas por imigrantes no fim do século XIX.
Se quiser percorrer as vinícolas históricas de Mendoza com um guia especializado em história e enologia, fale conosco pelo WhatsApp. Montamos roteiros personalizados que combinam as clássicas centenárias com as novas estrelas do enoturismo argentino.
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Escrito por
Vito Wine Tours
Fundador e concierge principal da Vito Wine Tours. Mais de 15 anos curando experiências privativas em vinícolas boutique de Luján de Cuyo, Maipú e Vale de Uco.
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