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Gastronomia
Como os vinhos de Mendoza foram construídos em torno da mesa argentina — e como harmonizá-los corretamente

"Os vinhos argentinos não foram feitos para combinar com saladas. Foram feitos para combinar com asado." Essa observação — comum entre os sommeliers locais — é o ponto de partida certo para entender a harmonização em Mendoza. A cozinha argentina e os vinhos argentinos se desenvolveram juntos por mais de um século. As harmonizações não foram descobertas; elas se construíram mutuamente.
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Este guia explica as harmonizações clássicas de Mendoza, as modernas que estão surgindo da cozinha contemporânea e como montar refeições que coloquem os vinhos no melhor contexto.
As harmonizações clássicas
Malbec com cordeiro
Se você vai aprender apenas uma harmonização argentina, é esta. O Malbec de Mendoza e o cordeiro patagônico têm uma afinidade quase metafísica. Os taninos do Malbec cortam a gordura do cordeiro. A fruta escura do vinho espelha a doçura natural do pernil. A acidez mantém o paladar fresco ao longo de várias garfadas.
O segredo é o cozimento certo: cordeiro de cocção longa (idealmente no fogo aberto ou no forno) por 4 a 6 horas, até a carne soltar do osso. Sirva com um Malbec estruturado de 5 a 10 anos. Esta é a refeição que vale a viagem a Mendoza.
Bonarda com empanadas
A Bonarda — a segunda uva mais plantada da Argentina e muito menos conhecida internacionalmente que o Malbec — é a harmonização perfeita para as empanadas de carne. A Bonarda tem corpo mais leve que o Malbec, fruta vermelha brilhante e taninos macios. As empanadas (carne, cebola, cominho, uvas-passas) têm uma complexidade de sabor que pede um vinho flexível. A Bonarda é exatamente isso.
Cabernet Franc com cozinha herbácea
O Cabernet Franc de Mendoza, com suas notas herbáceas e mineralidade, combina bem com pratos que levam ervas frescas, legumes assados e carnes magras com temperos verdes. A cozinha de horta do Vale de Uco — aspargos grelhados, abóbora assada com pesto, cordeiro ao alecrim — está especificamente alinhada com esse tipo de Cabernet Franc.
Torrontés com cozinha do norte argentino
O Torrontés, originário do norte da Argentina, é a uva branca distintiva do país. Seu perfil floral e aromático (toranja, jasmim, lichia) harmoniza excepcionalmente com a cozinha do norte: humita na palha, locro, tamales e ceviches com cítricos marcantes. No menu típico de vinícola, o Torrontés é o que se serve antes de qualquer tinto.
As harmonizações modernas
Pinot Noir de Mendoza com truta de rio
As novas plantações de Pinot Noir no Vale de Uco, em altitudes maiores, estão produzindo vinhos que combinam bem com peixes gordurosos — em especial a truta de rio de Mendoza. É uma das harmonizações contemporâneas mais interessantes que estão surgindo.
Chardonnay de altitude com queijos de cabra
O Chardonnay de Gualtallary (1.500 metros ou mais) tem a acidez para sustentar o peso de queijos de cabra maturados e a complexidade para igualar sua intensidade. A produção de queijo de cabra em Mendoza cresce rápido e essa harmonização vem se consolidando.
Espumantes com empanadas mais gordurosas
As empanadas em geral — mas especialmente as fritas, mais gordurosas — se beneficiam enormemente das borbulhas de um espumante. O método tradicional argentino ganhou qualidade significativa na última década. Como aperitivo de qualquer refeição argentina, um espumante brut nature é uma escolha excelente.
Vinhos laranja com outras cozinhas
Uma categoria pequena mas crescente de vinhos laranja (brancos com contato de casca) em Mendoza combina bem com as cozinhas não argentinas que estão chegando à cidade — em especial a peruana, a japonesa e a do Oriente Médio.
As harmonizações que NÃO funcionam
Malbec com peixe
Os taninos do Malbec arruínam a delicadeza da maioria dos peixes. Se precisar de um tinto com peixe, use o Pinot Noir de Mendoza ou um Cabernet Franc de corpo médio.
Qualquer tinto estruturado com saladas com vinagre
O vinagre e o tanino se chocam brutalmente. Use brancos secos ou rosés para saladas com vinagrete.
Vinhos doces com sobremesas extremamente doces
Regra geral: o vinho precisa ser mais doce que a sobremesa, ou fica amargo por contraste. Os vinhos de colheita tardia argentinos funcionam com sobremesas moderadamente doces (pudim, doces caseiros), mas perdem diante de sobremesas muito doces (sorvete intenso, chocolate amargo denso).
Montar um dia de harmonizações
Almoço em vinícola com harmonizações desenhadas
O almoço em vinícola com harmonizações desenhadas é o formato mais eficiente para entender a harmonização de Mendoza. Os chefs e sommeliers já fizeram o trabalho — você só precisa prestar atenção.
Aula de cozinha com vinho
A nossa inclui harmonizações enquanto se cozinha. É um formato mais ativo do que aprender apenas comendo.
Jantar em vários restaurantes com vinhos em taça
Uma noite em Mendoza com três paradas curtas em restaurantes diferentes, cada um com um vinho em taça diferente, dá um panorama amplo das possibilidades de harmonização. Nenhum restaurante faz isso sozinho, mas um concierge de vinhos consegue organizar.
Perguntas frequentes
É melhor começar pelo branco ou pelo tinto?
Tradicionalmente branco antes do tinto, leve antes do encorpado, jovem antes do maturado. Em um almoço argentino típico: espumante → branco → tinto leve → tinto estruturado → vinho doce.
A temperatura do vinho importa na harmonização?
Muito. Tinto quente demais perde estrutura. Branco frio demais perde aroma. Os tintos de Mendoza vão melhor a 16 a 18°C, não à temperatura ambiente de um verão argentino.
Como aprendo a harmonizar sozinho?
Prove o mesmo vinho com dois pratos diferentes na mesma refeição. A diferença é o que ensina.
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Escrito por
Vito Wine Tours
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